Às vezes os
sabores mais amargos do mundo, me dão forças para encarar o fel da minha
vida...
É
esta a filosofia que atualmente aplico no meu dia a dia, foi assim desde que
comecei a me descobrir, pois aquela menina tola aos poucos começara a ficar
para trás dando espaço a uma versão melhorada e sem “complexos”.
Eu
me sentia passando por uma metamorfose, a fase de lagarta estava quase no fim,
chegava a hora de um breve estágio de casulo para que no fim vigorasse apenas a
figura imponente da borboleta.
Os
dias passavam e cada vez mais eu continuava a investigar meu corpo, descobrindo
novas sensações, ainda éramos Anna e eu, e ela quem me ensinava coisas a
respeito da vida e seus prazeres. Aos poucos fui deixando de lado os óculos
fundo de garrafa, preferi deixar o rosto ainda mais a mostra.
Minhas
idas e vindas tanto de casa para o colégio, quanto para quaisquer outros
lugares estavam se tornando mais interessantes. Não havia lugar por onde
passasse que não fosse notada, mas de fato no colégio (onde ficava a maior
parte do tempo), as coisas fluíam ainda mais...
Nos
tempos da 8ª série, nas aulas de educação física eu sempre ficava acuada,
sentada na arquibancada enfurnada nos livros, enquanto via de longe os alunos e
alunas mais descolados interagindo entre si. Para mim era atemorizante pensar
em estar no meio daqueles ícones de popularidade, das muitas vezes que fui
requisitada a “participar” dos círculos sociais era quando servia de escrava
apanhando as toalhas e água para os demais.
Não passava de
uma mera ajudante, mas isso contribuiu para que eu conseguisse aflorar e
somente ser de fato notada no momento certo. Mesmo à distância, arrumava uma
maneira de atrair alguns olhares, pois às vezes, enquanto estudava sentada na
arquibancada (usando uma saia que parecia ter sido de uma tia avó solteirona e
recalcada), cruzava as pernas e olhava por cima dos óculos só para ver se tinha
alguém olhando, e o legal que sempre tinha um gostosinho espiando para mim.
Mas não
somente nas aulas de educação física que eu “aprontava”, estava constantemente
fazendo leves insinuações, sem perder obviamente, o título de boa moça. Tudo
que fazia era com certo receio, ficava com remorso em determinados momentos, e
muitas vezes chegava a me castigar por isso.
Acho que o
período de transição entre a infância e a adolescência foi o mais conturbado,
os conflitos de personalidade, crises existenciais, tudo somava para um colapso
iminente (que por sorte não ocorreu).
Meus hormônios
estavam mesmo à flor da pele, eu ficava mesmo excitada apenas com um leve golpe
de vento no pescoço, é como diz o ditado: “cabeça vazia, oficina do diabo”. E
muito embora estivesse com a cabeça repleta de coisas a pensar, mesmo assim,
meus tormentos vinham com toda a força. As garotas da minha idade tinham no
máximo alguns arrepios de certos desejos, nada que não fosse indomável quanto o
calor que eu sentia, tanto que parecia que um vulcão em mim estava prestes a
explodir, isso literalmente falando.
Anna me
explicou que algumas meninas tem desejos ocultos e que por isso eu ficava tão
desnorteada às vezes, mas que não era para me preocupar com isso e sim me
render aos meus caprichos, pois não havia mal em ceder às vontades da carne,
uma vez que o ser humano vive para saciar-se de prazeres.
De tanto ouvir
aos conselhos de Anna, acabei certa vez seguindo meus instintos. Eu aproveitei
que estava sozinha em casa, meus pais trabalhavam, eu chegara da aula e o dia
parecia não terminar, de repente bate aquela vontade, pareço não ter domínio
sobre minhas ações, o suor descia gota a gota no rosto, enquanto que os olhos
permaneciam paralisados, o corpo todo arrepiou, não como num susto ou sensação
de medo, tratava-se de um arrepio diferente de todos que já havia sentido. As
batidas do coração tornavam-se cada vez mais rápidas, pensei inclusive que
fosse morrer, a garganta estava seca e respiração bastante ofegante.
Algo surpreendente
e inusitado, estranho e magnífico, nojento e extremamente natural, fora a
primeira vez que me masturbara...

