A Água; se estiver represada, arruma uma fresta para se libertar. Pode ser benéfica ou maléfica, depende do momento. Mesmo que esteja solidificada, sempre volta ao seu estado original. A Água cura mas também destrói. Interessante como este elemento é impetuoso e tranquilo, instável e rígido, misterioso e ao mesmo tempo claro. Por fim, a Água é tão simples de ser entendida que se torna complexa...Acredito que tenho um pouco desta Água em mim. (Wallace Santos)

sábado, 13 de setembro de 2008

A Dançarina

"Um dia, veio à corte do Príncipe de Birkasha, uma dançarina e seus músicos. ...E ela foi aceita na corte...e ela dançou a música da flauta, da cítara e do alaúde. Ela dançou a dança das chamas e do fogo, a dança das espadas e das lanças; e ela dançou a dança das flores ao vento.Ao terminar, virou-se para o príncipe e fez uma reverência. Ele então, pediu-lhe que viesse mais perto e perguntou-lhe: 'Linda mulher, filha da graça e do encantamento, de onde vem tua arte e como é que comandas todos os elementos em seus ritmos e versos?A dançarina aproximou-se, e curvando-se diante do príncipe disse: Majestade, respostas eu não tenho às vossas perguntas. Somente isso eu sei: a alma do filósofo vive em sua cabeça, a alma do poeta vive em seu coração, a alma do cantor vive em sua garganta, mas a alma da dançarina habita em todo o seu corpo.” Extraído do livro "O Viajante" de Khalil GibranTradução: C.Offner

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Poemas

Eu já pensei e refleti diversas vezes a respeito da natureza dos poemas. Em minha concepção são formas explosivas de expressões que não se podem medir, são o efeito que tais palavras são capazes de causar em um indivíduo. Atualmente posso afirmar que sou um iniciante na arte da poesia, tenho rascunhado versos que exprimem um pouco da minha essência, a "dor da alma" por assim dizer. Engraçado falar de dor, afinal não se trata da sensação de desconforto, ou como definiria um dicionário: “sensação desagradável produzida pela excitação de terminações nervosas sensíveis aos estímulos dolorosos e classificada de acordo com o seu lugar, tipo, intensidade, periodicidade, difusão e caráter”. Na verdade esta dor não necessariamente refere-se ao sofrimento, nela estão englobados inúmeros sentimentos que só mesmo quem sente é capaz de compreender. Acredito que todos os artistas independentemente de suas atividades (músicos, atores, poetas, pintores e etc.) sentem algo parecido com este “voraz sofrimento”, principalmente quando estão criando. Certamente trata-se de um momento de êxtase, transe ou coisa do tipo, que apenas tem sua intensidade reduzida ao ver enfim a obra terminada. Em suma, a dor é metafórica. Imagino que a primeira vista minha definição do conceito abordado, me retrate como sendo uma pessoa infeliz, melancólica extremamente depressiva e solitária (talvez seja um pouco melancólico, mas não de forma anormal. Tudo a sua medida), no entanto, gosto muito de coisas que elevem o estado de espírito, sorrir, estar com amigos entre outras coisas. Classifico meu lado “sombrio” como sendo uma versatilidade, que permite uma reflexão “egoísta”. Com certeza muitas pessoas já se pegaram ouvido uma música (um hit do momento, ou até mesmo canções não que se encaixam no mercado de venda), se encantaram primeiramente com a melodia e somente após um tempo pararam para analisar de sua letra. Músicas também são poesias, porém são acompanhados de melodia. Fazendo uma análise a respeito da seguinte música:


Eu Que Não Sei Quase Nada Do Mar 


Garimpeira da beleza 
Te achei na beira de você me achar 
Me agarra na cintura, me segura e jura que não vai soltar 
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer. 
Navegando nos meios seios, mar partindo ao meio. 
Não vou esquecer Eu que não sei quase nada do mar 
Descobri que não sei nada de mim 
Clara, noite rara, nos levando alémda arrebentação 
Já não tenho medo de saber quem somosna escuridão 
Me agarrei nos seus cabelos 
Sua boca quente pra não me afogar 
Tua língua correnteza lambe minhas pernas 
Como faz o mar 
E vem me bebendo toda, me deixando tonta de tanto prazer 
Navegando nos meus seios, mar partindo ao meio 
Não vou esquecer 
Eu que não sei quase nada do mar 
Descobri que não sei nada de mim (Ana Carolina) 

Pode ser observado em cada verso um delírio que nos faz viajar e sentir como se realmente estivéssemos em uma maré, dançando com as ondas. Além do mais, nota-se um romance acontecendo em meio ao constante vai e vem do mar, envolvido de mistérios assim como a personagem da canção (afirmo que na música há uma personagem, pois é evidente o relato de amor e conflito consigo mesma). Se pararmos pra pensar, grande parte do cotidiano é envolto a poemas, basta sabermos prestar atenção nos pequenos detalhes. A natureza, a vida, até mesmo a “ausência de vida” são belíssimas poesias, visto que o Autor dessas obras é Perfeito.

Por: Wallace Santos