A Festa
A semana passou parecendo voar e de repente estávamos já na sexta-feira. Não muito diferente da minha primeira aparição após a mudança no visual, o assunto principal do colégio era apenas eu. Já havia inclusive disputas entre os garotos para ver qual deles sairia comigo, e entre a maioria das meninas o que circulava era o sentimento de despeito, ou inveja eu diria. Sem dúvida aquilo tudo me enchia de felicidade, tanto a ponto de explodir.
De uma hora para outra eu deixava de ser alguém invisível e me tornava a figura mais popular, como se fosse um passe de mágica.
Mas sei que sozinha eu não conseguiria me tornar tão admirada, contava sempre com minha amiga Anna que não hesitava em me dar conselhos, ensinando a me exibir. Ela tem sido uma boa influência para mim, e com certeza é uma amiga com a qual poderei contar pelo resto de minha vida...
Não somente a escola, mas também a cidade (que não é muito grande) estava aos poucos se rendendo aos encantos de Vanilla...
Em se tratando de um fim de semana, eu não tinha para onde ir depois de toda aquela rotina, não tinha hábito de sair para espairecer ou coisa do tipo, ficava mesmo enfurnada em casa no meio dos livros, mas desta vez de tanto que Anna meu perturbou o juízo, decidi por planejar algo para sexta-feira à noite. Ia aparecer no point onde os descolados costumavam ir para se divertirem.
Depois da aula fui para casa planejar meu modelito, após um demorado banho fiquei trancada dentro do quarto durante horas, tentando escolher a roupa que faria a diferença naquela noite. Eu já havia arrumado o cabelo e desta vez tinha me maquiado de forma correta. Um pouco mais de rimel nos cílios realçaram ainda mais a expressão hipnótica que me meus olhos transmitiam.
Passado mais um tempo e eu estava pronta, vestida de um jeito sutil, mas que com certeza chamava a atenção. Me despedi de meus pais e fui para point que até então só ouvira falar.
Chegando ao tão esperado lugar, os melhores olhares foram voltados para mim. Os filhos da alta roda faltavam pouco me devorar, tamanha era a indiscrição da admiração. Confesso que fiquei um tanto sem graça, mesmo assim não deixei que este sentimento transparecesse e como se nada estivesse acontecendo segui um curto caminho em direção a uma mesa, onde fiquei sozinha, mas não por muito tempo.
Fiz sinal para uma garçonete que por ali passava e pedi um suco de frutas tropicais, e enquanto aguardava por meu pedido, fui meio que surpreendida por um gesto que significava um convite para dançar.
Com uma das mãos estendida, e parado em minha frente estava aquele cara, parecia que finalmente ele criara coragem de me encarar, mas ainda sim eu o deixa constrangido.
No bar uma música soava animada, agitada, ele e eu dançamos com os corpos separados e estranhamente ele mal puxou um assunto, deu a entender que estava ali comigo desejando estar em outro lugar. Sem dúvidas o medo dele em estar na minha presença estava estampado em seu rosto, irônico, pois antes quem sentia tal terror era eu quando cruzava com ele nos corredores do colégio.
O meu suco ficara pronto e vi a garçonete que me atendera, trazer numa bandeja, o copo resfriado com o líquido de tom avermelhado enfeitado com pedacinhos de frutas e pequenos adereços de um típico drink, foi aí que paramos de dançar e pude iniciar um diálogo descente.
Nos sentamos à mesa e fui logo perguntando o nome dele (como se eu não soubesse o nome do cara mais bonito e popular de toda a cidade) e ele disse Raymond, este era seu nome, numa gentileza ele retribuiu o gesto e perguntou o meu nome e eu mais que segura respondi: - Vanilla!
Me pareceu que a forma segura com a qual eu me apresentei, mexeu ainda mais com aquele homem, que parecia tremer por dentro enquanto que do lado de seu rosto, uma tímida gota de suor descia pelo contorno de sua cútis, eram sinais do nervosismo que ele insistia em não demonstrar.
Num vai e vem de palavras (sendo a minhas firmes e as dele um tanto inseguras), conseguimos ao longo da noite desenrolar um bom papo e aos poucos Raymond foi se soltando e se mostrando confiante como sempre me pareceu (aparentando confiança não somente para mim, mas todos a sua volta, como era de costume).
Noite adentro nos dançamos, rimos, conversamos, bebemos e as pessoas ao redor não acreditavam em que seus olhos viam. A garota que outrora mal passava de uma figura apática e completamente insossa, se tornava mesmo uma linda mulher e estava interagindo com o objeto de desejo de todas as fêmeas (e também de alguns machos) da região.
Definitivamente o mundo deu inúmeras voltas para que este acontecimento fosse presenciado por todos os tops da região, e o melhor de tudo era que ao contrário do que devia ser, quem detinha o controle nas mãos era eu. “A música tocava a meu bel prazer” e a sensação de estar por cima, me causava tamanho frenesi.
De repente as luzes caíram, chegava o momento romântico da noite, e o som frenético de instantes atrás foi substituído por uma baladinha que embora fosse um tanto melosa, tinha um tom gostoso de ouvir. E para aqueles que estavam se paquerando, não havia nesta noite hora mais oportuna que esta.
Daí me veio o conflito, pois eu que minutos atrás tinha todo o esquema em mãos, não sabia o que fazer, fui surpreendida. Foi aí que percebi que estava sendo novamente surpreendida!
Raymond passou com delicadeza sua mão pela minha cintura e me tomou em seus braços, tive a sensação de estar num campo de batalha frente a frente com um doce “inimigo”, isso para mim era muito louco, eu nunca tinha estado tão perto de um homem assim. Estávamos mesmo tão perto um do outro, que conseguíamos sentir nossas respirações. Nesta hora não falamos nada, (falar e estragar o clima do momento?!) ficamos ali nos balançando levemente de um lado para o outro, embalados pelas canções, e nas seqüências de hits selecionados pelo DJ a música que mais me tocou foi Island In The Sun, cantada pela banda Weezer.
A melodia era perfeita, mas a letra foi que mais me chamou a atenção, muito embora nós não estivéssemos em clima de férias e sequer estávamos numa ilha, como dizia a letra da canção, tudo aquilo fazia muito sentido como, por exemplo, o fato de termos rido e nos divertido. Tudo nos reportava a nossa própria ilha nos fazendo tão bem a ponto de não sermos capazes de controlar nossos cérebros.
E por não controlar nossos cérebros o “inesperado” aconteceu, e ao som daquela música eu dei o meu primeiro beijo com o cara que naquele espaço, era o mais perfeito de todo o mundo. Sem dúvida o meu primeiro beijo não poderia ter acontecido de maneira mais primorosa. O lugar certo, com a pessoa certa, o clima e música mais certos ainda...
Ficamos ali nos beijando sob os holofotes baixos, transportados para outro universo, enquanto que ao redor o burburinho era inevitável. Algumas cantavam minha vitória com um tom de desdém, outras (e também outros) queriam estar no meu lugar, ouvi outros comentários, mas o importante era estar ali, e nada mais...
Depois que dançamos um pouco mais, nos sentamos novamente à mesa e ficamos conversando durante um longo período e a noite (festa) já estava chegando ao fim. As pessoas começavam a ir embora e rapidamente o pub passava de lotado a quase vazio. Foi aí que me despedi de Raymond, mas ele se prontificou a me levar em casa e eu aceitei a proposta.
Não muito tempo depois estávamos dentro do carro dele, estacionados na porta da minha casa que na verdade não ficava longe do barzinho. Trocamos mais uma dúzia de palavras sem jeito (devido ao clima romântico), nos beijamos uma última vez por esta noite e finalmente nos despedimos.
Quando entrei em casa e já em meu quarto, não conseguia acreditar que estava vivendo na realidade, eu me beliscava para tentar acordar, mas era a mais pura verdade. Anna e eu ficamos conversando durante quase todo resto de noite, rindo e dado gritinhos eufóricos (coisa de meninas), tanto que meus pais acordaram.
Umas batidas à porta, meu pai checava se estava tudo bem comigo e sorrindo o atendi entreabrindo a porta e afirmei convicta que tudo estava perfeitamente bem, ele vendo em meu rosto a felicidade estampada se tranquilizou e voltou para seu quarto, tranquilizando também minha mãe que havia acordado assustada.
De tanto fofocar, Anna e eu acabamos por cair num profundo sono. E eu sonhando, mal podia esperar pelo nascer de um novo dia.
isso aí!!!!!!
ResponderExcluircara sortudo
a menina mais bonita do lugar
eu entraria em pânico,
no mínimo perderia a voz por 3 horas
kkkkkkkkkkkk
(se bem q eu já falei com a garota mais linda do mundo como se fossemos intimos)
ai ai
q bom pra Lilla
eu ainda fico pensando
como vai ser pra mim?
Oo
P.S.: gostei da música
http://www.kboing.com.br/script/radioonline/radio/player.php?musica=200575&op=1&rd=24213